- O vício é um problema de saúde que afeta o corpo e o cérebro, mas que também tem raízes psicológicas e sociais. A explicação genética ou biológica dos vícios pode levar à indefensão, porque estabelece como causa aspectos da pessoa que não podem ser mudados. Olhar para o pano de fundo psicológico e social do tabagismo permite avançar.
- Se você ainda não parou de fumar, recomenda-se anotar, em uma tabela de 4 células, os motivos a favor de continuar fumando, os motivos contra, os motivos a favor de parar e os motivos contra. Trata-se de encontrar razões e motivação própria para começar o processo. Também é válido ouvir a parte de si mesmo que prefere continuar fumando e tem dúvidas sobre o momento de parar.
- Em geral, é melhor parar de uma vez ou planejar uma redução breve, de no máximo 2 semanas. No geral, costuma ser muito mais difícil manter um consumo controlado ou reduzido do que parar totalmente. Se você decidir fazer uma redução, é uma boa ideia acompanhar essa fase com pequenas ações que o preparem para parar, como, por exemplo, introduzir novos hábitos, fumar uma marca de cigarro diferente, escolher 2 lugares em que você costumava fumar e deixar de fazê-lo, escrever uma carta de despedida ao tabaco, entre outras.
- É aconselhável ter em mente as situações de risco e evitá-las. Podem ser as pausas dos fumantes, os bares ou as festas, o consumo de álcool ou outros contextos associados ao ato de fumar.
- É recomendável ter uma lista de estratégias para combater a vontade de fumar, como: praticar esporte, molhar as mãos ou o corpo inteiro, ligar para alguém para falar de qualquer assunto menos da vontade de fumar, ou exercícios de respiração consciente.
- Quando chegar o Dia de Parar, propomos limpar a casa, o carro, o escritório e qualquer lugar do dia a dia de tabaco e de seus acessórios (isqueiros, produtos comerciais, fotos em que você aparece fumando, cinzeiros etc.). Também é um bom momento para programar (se possível, como rotina) qualquer atividade prazerosa: massagens, salão de beleza, cinema, parque de diversões ou sexualidade são alguns exemplos. É o momento de informar as pessoas ao seu redor sobre o seu propósito. É válido evitar os riscos até ganhar mais segurança, e também é válido definir o objetivo de não fumar dia após dia, para sentir a experiência de conquista a cada dia que passa, e não ter a impressão de estar diante de um desafio esmagador.
- A síndrome de abstinência dura, no máximo, 28 dias. Pode ser muito desagradável, mas é passageira. Embora não seja possível evitar o seu aparecimento, é possível fazer coisas para combatê-la.
- Existe o fenômeno chamado “nuvem rosa”, que consiste em uma grande euforia gerada pela sensação de ter conseguido parar de fumar, de ter vencido o vício. É válido dar espaço à satisfação e ao sucesso, mas convém modular essa vivência. O sucesso consiste em se manter sem fumar e construir uma vida depois do tabaco. A ideia de “ter vencido” pode gerar a noção de que o processo terminou, e isso pode deixá-lo mais vulnerável às recaídas.
Se você chegou até aqui, pode se parabenizar e se premiar, não importa o quão fácil ou difícil esteja sendo o processo. E, embora às vezes você duvide, há uma parte de você que está construindo uma vida melhor. Você está assumindo a responsabilidade: pode se sentir orgulhoso e grato consigo mesmo. Dê-se um presente :)
E no próximo módulo…
Veremos como manter a abstinência após as primeiras semanas. Concretamente:
- Que benefícios tem continuar sem fumar após as primeiras semanas? Como o corpo se recupera?
- Mesmo que a síndrome de abstinência ou “fissura” tenha sido superada, o vício não foi superado: como o processo continua?
- Que mitos estão associados ao consumo de tabaco?
- Além de parar de fumar, como será preenchido o espaço que o tabaco deixa na sua vida?
- Como o ato de fumar afetou a sua identidade? Se havia características positivas associadas ao fato de fumar (parecer mais velho, interessante, atraente etc.), como essas facetas podem ser mantidas depois de parar de fumar? Quem você quer ser depois de deixar o tabaco?
- Que sinais indicam o perigo de recaída?