A partir do momento em que você parar de fumar, começará uma nova etapa. Neste capítulo, apresentamos uma série de estratégias que vão ajudar você nesse caminho.
Uma das estratégias mais úteis é evitar as situações de risco. Por isso, sugerimos alguns fatores de risco que podem predispor você a fumar, para que você decida se quer evitá-los:
Fatores de risco
- Momentos do dia em que você costumava fumar: depois das refeições, ao sair do trabalho, nos intervalos, etc.
- Lugares: bares, terraços, etc.
- Tipos de comida: refeições pesadas, álcool, café, etc.
- Pessoas fumantes.
- Vivências difíceis: problemas, tédio, estresse, crises.
Quanto às estratégias positivas, também sugerimos uma lista:
Estratégias úteis para lutar contra a vontade de fumar
- Esporte.
- Respiração consciente e equilibrada.
- Conversar com alguém, evitando que o tema da conversa seja o tabaco.
- Distração: sair para caminhar, colocar música em volume alto para ocupar o primeiro plano da sua atenção, leitura, etc.
- Molhar as mãos, a boca ou o corpo inteiro com água fria (ou quente, caso você sinta ansiedade).
Cuidado com estratégias úteis, mas não positivas! Por exemplo, pode ser que comer muito açúcar, passar para outra droga ou realizar comportamentos de risco (dirigir rápido, praticar esportes de risco, etc.) ajude você a pensar menos em fumar, mas essas atividades podem gerar outros inconvenientes.
Não existe uma fórmula mágica. Há diferentes conselhos e estratégias que podem ser úteis, mas não há remédios milagrosos. É preciso ir avaliando quais são as que funcionam para você.
Nesse sentido, perguntamos: qual é o seu ideal de parar de fumar? Como você acha que deveria parar de fumar? É possível que você tenha construído, de forma mais ou menos consciente, que há uma maneira determinada ou correta de parar de fumar. Por exemplo: sem ajuda, ou sem fazer mudanças na sua rotina, ou sem abrir mão de contextos em que há fumaça.
Todos os processos são válidos, tanto se forem necessários mais recursos quanto se não forem. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza e não há nada de errado em buscar uma forma de tornar a abstinência o mais fácil e confortável possível.
Deixar-se ajudar é um indicador de força porque implica se expor e aceitar as próprias dificuldades. Contar com recursos externos torna você mais forte.
Também explicamos de forma resumida que tipos de medicamentos existem para o tratamento da dependência de nicotina:
Medicação
- A nicotina de reposição, na forma de adesivos, gomas de mascar ou comprimidos: não é necessária prescrição médica. São menos eficazes do que outros medicamentos. De fato, deve-se considerar que consistem em ingerir nicotina por vias que não sejam a fumaça. Isso evita os efeitos nocivos sobre as vias respiratórias e, psicologicamente, segue-se o processo de desabituação do ato de fumar, mas continua-se alimentando a dependência da droga. Se você não sente muitíssima vontade de fumar, é melhor evitá-la. Em nenhum caso são recomendados vapes ou cigarros eletrônicos, já que, ou contêm nicotina, ou, se não contêm, podem produzir doenças respiratórias por causa da combustão e da fumaça que é inalada.
- Os agonistas parciais dos receptores nicotínicos. São medicamentos que estimulam os receptores que costumam receber a nicotina do tabaco, mas o fazem mais fracamente do que o tabaco. Reduzem a vontade de fumar e suavizam a síndrome de abstinência:
- A vareniclina: é necessária receita médica. O princípio ativo do medicamento tem esse nome, embora o nome comercial do fármaco possa ser outro.
- A citisina ou citisiniclina: é necessária receita médica. O princípio ativo do medicamento tem esse nome, embora o nome comercial do fármaco possa ser outro. Nos anos 60 já era usada no Leste Europeu. Agora está sendo usada cada vez mais e está substituindo a vareniclina, já que tem uma eficácia parecida, mas menos efeitos colaterais. É uma molécula semelhante à nicotina que vem da planta chamada giesta. Durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados a mastigavam e perceberam que ela acalmava a vontade de fumar.
- O antagonista dos receptores nicotínicos, chamado bupropiona: é necessária receita médica. Esse fármaco bloqueia os receptores de nicotina, ligando-se a eles, mas sem gerar nenhum efeito biológico próprio. Também é usado como antidepressivo e, por isso, é contraindicado com outros psicofármacos.
Qualquer medicamento pode ter efeitos diferentes dependendo da pessoa, e todos os medicamentos podem ter efeitos colaterais.
Os fármacos não podem substituir a motivação própria e a decisão de mudança. Um medicamento tomado sem realmente querer parar de fumar provavelmente fracassará. De fato, em muitos sistemas de saúde pública, o requisito para prescrever esses medicamentos é que a pessoa queira parar de fumar e, se não quiser, não se deve prescrever.
É um complemento e pode contribuir para sentir menos desejo de fumar, mas não pode gerar em você a motivação necessária. Neste ponto, lembramos a você a primeira seção em que explicamos que, para poder avançar, é necessário se considerar como parte ativa da mudança e não como um mero paciente passivo que toma medicamentos.
Por se tratar de um complemento, dizemos que os tratamentos devem ser integrais. Isso significa que devem atender todas as esferas do fenômeno: a psicológica, a biológica e a social.